Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

Axel Chasme, diretor de mineração da LiuGong para África, apresenta os planos para o mercado

31 de outubro de 2025 | Notícias do mercado

A chave para o sucesso em África será o financiamento local; embora tenhamos muitas consultas de clientes, é muito difícil fechar negócios sem financiamento.

Como tem sido o desempenho da LiuGong em África desde o ano passado?

Este tem sido um ano de grande sucesso para a LiuGong no setor mineiro em África, e continuamos a avançar. Na África Austral, por exemplo, em Moçambique, entregámos uma frota de grandes escavadoras. Na África do Sul, onde o mercado está em declínio, conseguimos manter a nossa quota de mercado. Na África Ocidental, lançámos as nossas carregadoras de rodas elétricas e camiões elétricos para a mineração – está prevista uma entrega na próxima semana para testes com um cliente de grande dimensão. Entregámos também a nossa maior escavadora, a LD60D, a uma importante empresa de mineração de ouro, o que marca a primeira entrega deste modelo em toda a África. Já temos mais encomendas pendentes.

Nota um aumento do interesse pela gama de veículos elétricos da LiuGong?

Sim, muitos conselhos de administração e sedes centrais estão a exigir a descarbonização e, embora se diga frequentemente que «isso não funciona em África», hoje podemos provar que funciona. Diria que 60 % das minhas reuniões na Mining Indaba foram sobre descarbonização e, desde então, temos constatado um interesse genuíno. 

Demonstrámos que os produtos elétricos proporcionam um melhor custo total de propriedade (TCO), que costuma ser a principal preocupação manifestada pelos nossos clientes. A mineração é, por natureza, dispendiosa, avançar para maiores profundidades é dispendioso e, em alguns casos, os preços das matérias-primas baixaram, pelo que as pessoas procuram formas de melhorar o TCO. O equipamento elétrico contribui para isso. Em média, os nossos clientes poupam 30–40% em custos e, em alguns projetos, alcançámos poupanças de até 60% através da utilização do nosso equipamento. 

Poderia comentar sobre a criação de uma divisão dedicada à mineração na LiuGong África e sobre os seus planos de expansão na África Oriental?

A LiuGong decidiu separar as áreas de mineração e construção, e agora contamos com uma divisão dedicada que abrange equipamentos, assistência pós-venda e financiamento para o setor mineiro. Desde maio deste ano, fui nomeado Diretor da Divisão de Mineração para África. Atualmente, estou a formar uma equipa para dar apoio à África Austral, à África Oriental e à África Ocidental. Os principais mercados continuam a ser a África Austral e a África Ocidental, mas estamos a assistir a novos desenvolvimentos na África Oriental, especialmente na Etiópia e na Tanzânia, por exemplo, onde estão atualmente a abrir grandes minas. Os projetos diferem: na África Austral, trata-se principalmente de carvão, manganês e cromo, enquanto na África Oriental, especialmente na Tanzânia, são sobretudo ouro e terras raras; na África Ocidental, destacam-se o minério de ferro e o ouro. 

A nossa divisão de mineração existe para ouvir a «voz do cliente» e ser mais ágil do que os concorrentes. O meu objetivo é estabelecer parcerias com subcontratantes africanos – há dez anos, as minas geriam os equipamentos internamente, mas hoje dependem muito mais de subcontratantes locais, e essas pessoas precisam de apoio personalizado. Para impulsionar a nossa expansão, trabalhamos através de um modelo de concessionários. Como fabricante original (OEM), tratamos da I&D e da produção, mas deixamos que os concessionários no terreno adaptem a sua abordagem a cada território. A equipa tem feito um excelente trabalho nos últimos quatro anos na construção de relações com os concessionários, mas em alguns mercados cinzentos, continuamos à procura de parceiros.

A LiuGong está a lançar novos produtos, como o camião basculante articulado (ADT). Como é que o vosso portfólio está a expandir-se?
Estamos particularmente entusiasmados com o ADT, previsto para 2026, que se encontra atualmente em fase de testes junto de alguns clientes importantes. Outra novidade é o camião de mineração rígido RDT de 100 toneladas, que em breve fará a sua estreia no mercado. Com os ADTs, os RDTs e os camiões de carroçaria larga, iremos cobrir toda a gama de transporte. No que diz respeito à carga, vamos adicionar uma escavadora de 135 toneladas e uma carregadora de 25 toneladas até ao final deste ano. Juntamente com o novo equipamento de transporte da LiuGong, isto amplia a nossa oferta para dar resposta a operações de maior dimensão.

Em que medida o financiamento local é importante para o seu crescimento?

Para expandir a nossa divisão de mineração, a LiuGong procura, em particular, parceiros financeiros. A chave para o sucesso em África será o financiamento local: embora tenhamos muitas consultas de clientes, é muito difícil fechar negócios sem financiamento. Atualmente, dependemos fortemente das ECAs (agências de crédito à exportação), mas precisamos de mais parceiros financeiros locais que compreendam os mercados africanos e possam apoiar os nossos concessionários e clientes. 

Como acha que a confiança dos compradores em relação ao equipamento de mineração fabricado na China tem evoluído nos últimos anos?

Atualmente, todos os nossos concorrentes fabricam na China, pelo que não podem alegar que «fabricado na China» é sinónimo de baixa qualidade – as suas placas de identificação dizem exatamente o mesmo. A investigação e desenvolvimento na China avançou enormemente; a maioria dos novos desenvolvimentos provém agora da China, e não dos mercados ocidentais, e a China é o líder de facto no que diz respeito a baterias elétricas e eletrificação. 

Ao longo dos anos, os fabricantes chineses de maquinaria pesada e equipamento de mineração têm vindo a melhorar a qualidade dos seus produtos, pelo que as marcas ocidentais tiveram de ajustar a sua estratégia: para se manterem competitivas em mercados sensíveis ao preço, como a África, têm, por vezes, retirado os seus produtos de gama alta (de primeira linha) desses mercados. 

Em vez de venderem as suas melhores máquinas a preços elevados, o que as poderia tornar pouco competitivas face às máquinas chinesas mais baratas, as empresas ocidentais oferecem em África equipamentos com especificações inferiores ou modelos mais antigos para conseguirem igualar os preços dos concorrentes chineses; no entanto, isto significa que os compradores africanos podem não obter a qualidade de topo que as marcas ocidentais oferecem noutros mercados. Assim, enquanto as marcas chinesas melhoram a qualidade, as marcas concorrentes estão a baixar a qualidade dos seus produtos destinados a África.

A LiuGong é um fabricante original (OEM) orgulhosamente chinês. 95% dos nossos produtos são fabricados na China, mas contamos com parceiros globais de renome, como a Cummins e a ZF. Esta parceria dupla única proporciona-nos uma vantagem estratégica distinta, que nos diferencia dos demais.

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