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O ouro atinge um novo máximo enquanto o mundo se prepara para a segunda vaga da COVID-19

24 de junho de 2020 | Notícias do mercado

O ouro atingiu o seu nível mais alto desde outubro de 2012.

Este aumento dramático está associado à probabilidade de uma segunda vaga da pandemia de COVID-19 atingir o mundo, bem como à crescente incerteza na sequência da divulgação pela China de um projeto de lei sobre a segurança nacional de Hong Kong.

O ouro, considerado um porto seguro, viu a sua procura reforçar-se ainda mais durante o fim de semana, à medida que os casos de COVID-19 continuavam a aumentar. O número R (reprodução) da Alemanha disparou de 1,79 para 2,88, enquanto os casos nos EUA se multiplicaram. A Austrália antecipa igualmente uma segunda vaga de casos e está a reforçar as medidas de saúde pública existentes em alguns dos maiores estados do país. No domingo, 21 de junho, a Organização Mundial de Saúde anunciou um número recorde de quase 9 milhões de casos a nível global.

Para além da COVID-19, os recentes desenvolvimentos geopolíticos também deram um impulso significativo ao ouro. A China confirmou agora as alterações propostas à lei de segurança nacional que colocariam Pequim numa posição de se sobrepor ao sistema jurídico de Hong Kong, aumentando potencialmente o atrito existente com o governo dos EUA. Os desenvolvimentos legais poderão ser implementados muito mais cedo do que o esperado, com o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional a anunciar uma decisão rara de realizar uma segunda reunião entre 28 e 30 de junho.

O sentimento dos investidores deteriorou-se ainda mais depois de dois responsáveis da Reserva Federal dos EUA terem anunciado que o país deverá registar outro aumento do desemprego, caso a pandemia não seja controlada. Espera-se que o caminho do país para a recuperação económica seja mais longo e mais desafiante do que as expectativas iniciais.

Ao longo de 2020, o ouro valorizou 15%, com o Goldman Sachs a antecipar que o metal atingirá um recorde de 2 000 $/onça. Esta previsão é apoiada pelo JPMorgan, que aconselha os investidores a escolherem o ouro como a opção mais eficaz num ambiente de baixos rendimentos reais.

Os especialistas de mercado têm-se mostrado recentemente um pouco mais otimistas, uma vez que a maioria das economias se encontra agora no período pós-pico; no entanto, está a tornar-se cada vez mais óbvio que o mundo terá de lidar com uma segunda vaga de confinamentos que irá desencadear novos desafios económicos.

De acordo com a Bloomberg, as participações totais conhecidas em fundos negociados em bolsa (ETF) lastreados em ouro aumentaram 30 toneladas na sexta-feira, 19 de junho de 2020. Tendências semelhantes, mas menos pronunciadas, são visíveis nos mercados da prata, platina e paládio.

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