Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

Como é que o setor mineiro africano pode conseguir atrair os melhores talentos recém-licenciados?

24 de junho de 2019 | Notícias sobre eventos

Ouça o testemunho de Teboho Maphakisa, cofundador da Fundação Educacional Learn and Give.

Teboho, profissional da área da geomática e antigo participante doPrograma de Desenvolvimento Profissional para Jovens Líderes da Mining Indaba, analisa como a indústria mineira africana pode conseguir atrair os melhores talentos recém-licenciados para colmatar a sua escassez de competências.

Se é estudante ou recém-licenciado e está interessado numa carreira na indústria mineira,inscreva-se agora gratuitamente paraparticipar no Programa de Jovens Líderes de 2019.
 

FALE-NOS UM POUCO SOBRE A SUA ORGANIZAÇÃO – QUAL É A SUA MISSÃO E COMO ESTÁ A TENTAR CUMPRI-LA?

A Fundação Educacional Learn And Give, ou LGEF, como carinhosamente a chamamos, é uma organização sem fins lucrativos registada junto do Departamento de Desenvolvimento Social da África do Sul. A organização foi fundada em 2013 com a missão de melhorar a qualidade da educação em comunidades anteriormente desfavorecidas, através da oferta de programas de apoio educativo a alunos fora do ambiente normal da sala de aula.

Além disso, a organização procura desenvolver o caráter e as competências de liderança dos formandos, envolvendo-os na organização dos nossos programas sem interferir nas suas atividades escolares, e também incutir uma cultura de responsabilidade social entre os licenciados e os jovens profissionais, através do voluntariado e da orientação dos formandos. 

Para concretizar a nossa missão, a organização continua a estabelecer parcerias com outras organizações que desenvolvem atividades semelhantes, com equipas dedicadas de professores nas nossas escolas parceiras e com indivíduos que oferecem voluntariamente o seu tempo e, por vezes, os seus recursos pessoais para contribuir para a concretização da missão da organização. 
 

QUAIS CONSIDERA QUE SÃO AS PRINCIPAIS CAUSAS DA ESCASSEZ DE COMPETÊNCIAS NO SETOR MINEIRO DA ÁFRICA DO SUL?

Pela minha própria experiência, quando se fala em «mineração», a maioria das pessoas — especialmente os jovens — pensa em homens suados, vestidos com macacões, capacetes e máquinas de perfuração. Isso não reflete a verdadeira realidade da indústria mineira e há muito trabalho a fazer para mudar essa perceção. Tenho a sorte de ter experiência na área da mineração, pelo que estou ciente das muitas histórias de sucesso na indústria, mas, pessoalmente, acho que há um problema com a imagem do setor mineiro.

Apesar de existirem, raramente se ouvem histórias de profissionais e executivos de sucesso no setor mineiro, especialmente aqueles provenientes de meios historicamente desfavorecidos. Isto torna o setor menos atraente para muitos jovens, que preferem procurar oportunidades no mundo empresarial, pois é aí que encontram inspiração. As empresas mineiras precisam de dar a conhecer as suas histórias de sucesso e as oportunidades disponíveis no setor, a fim de atrair um grupo de futuros líderes do setor. 
 

O QUE SE PODE FAZER PARA MELHORAR ESTA SITUAÇÃO?

Na África do Sul, tal como acontece em muitas outras partes do mundo, o desemprego juvenil continua a ser uma grande preocupação. No recente Inquérito Trimestral à População Ativa realizado pela Statistics South Africa (StatsSA), as estatísticas revelam que, na África do Sul, um em cada três jovens da população ativa não tinha emprego no primeiro trimestre de 2018. Trata-se de jovens qualificados que são frequentemente vistos à espera nos semáforos durante as horas de ponta nas grandes cidades, com alguns a recorrerem a publicações nas redes sociais a implorar por empregos junto de potenciais empregadores. 

Penso que, através de programas como o «Mining Indaba Young Leader’s Day», existe agora uma grande necessidade de dar a conhecer a estes jovens, em particular às mulheres, as diversas oportunidades de carreira disponíveis no setor mineiro, para além das carreiras tradicionais. Além disso, para incentivar o empreendedorismo no setor, os jovens devem considerar várias oportunidades, tais como escrever em blogs sobre a indústria mineira, oferecer serviços profissionais e formação a empresas, ou talvez até explorar inovações como o desenvolvimento de software para empresas mineiras, com o objetivo de facilitar as atividades de mineração. 
 

SERÃO AS COLABORAÇÕES ENTRE INSTITUIÇÕES DE ENSINO E AS EMPRESAS UMA FORMA VIÁVEL DE COLMATAR O DÉFICE DE COMPETÊNCIAS? QUE PAPEL ACHA QUE AS EMPRESAS PRIVADAS DEVEM DESEMPENHAR NESTE CONTEXTO?

As colaborações são, sem dúvida, o caminho a seguir. O Dia dos Jovens Líderes só se realiza uma vez durante a conferência «Investing in African Mining Indaba», mas é necessário que existam programas contínuos entre os vários intervenientes, incluindo o governo, o setor privado, os sindicatos, o meio académico e as organizações da sociedade civil. Mais uma vez, penso que as empresas mineiras precisam de ter uma maior visibilidade na sociedade, divulgando as competências e os serviços de que necessitam, para que os jovens fora das comunidades mineiras possam aproveitar estas oportunidades. 
 

QUE CONSELHOS DARIA A EMPRESAS PRIVADAS QUE PRETENDEM AUMENTAR AS SUAS TAXAS DE RETENÇÃO DE LICENCIADOS?

Penso que, em setores como a mineração, a agricultura e, em certa medida, a prática médica em zonas rurais, é frequentemente um desafio reter talentos. Considero que as empresas precisam de rever os seus processos de recrutamento. Isto pode ser feito dando a conhecer aos potenciais talentos o setor e os seus desafios, incluindo, entre outros, as condições de trabalho e a localização geográfica, seja através de programas de formação com a duração de um ano, seja de outra forma, antes de os estudantes retomarem os estudos em instituições de ensino superior. 

O que acontece frequentemente é que, através dos seus departamentos de Recursos Humanos, as empresas concedem bolsas de estudo e encaminham os estudantes diretamente para as universidades; após a conclusão do curso, esses estudantes ou abandonam as empresas ou trabalham durante alguns anos, em conformidade com o contrato da bolsa, e depois partem para as grandes cidades.

A verdade é que, em profissões como a mineração, as empresas precisam de recrutar pessoas motivadas pela paixão. Não há escritórios de direção com vista para a cidade, e os jovens precisam de estar cientes disso para evitar surpresas. 
 

Teboho é um profissional de geomática altamente adaptável e versátil, registado no Conselho de Geomática da África do Sul e um técnico certificado em propriedade horizontal. Possui ainda um certificado de detonação para minas regulamentadas e integrou o Programa de Desenvolvimento Profissional para Jovens Líderes da Mining Indaba 2017/18. 

Fora da sua vida profissional, tem uma paixão pelo desenvolvimento dos jovens, particularmente através da educação, e em 2013 cofundou a Fundação Educativa Learn And Give. Em 2015, foi nomeado um dos 200 Jovens Sul-Africanos pelo jornal Mail & Guardian.

Facebook: Teboho Maphakisa
Twitter: @justteboho
E-mail: maphakisa@hotmail.com

Junte-se a nós na Mining Indaba 2027

A Mining Indaba 2027 é o ponto de encontro dos líderes do setor mineiro africano e mundial, onde se relacionam e moldam o futuro. Exponha, patrocine ou inscreva-se hoje mesmo — não perca esta oportunidade!

Expor ou patrocinar Manifeste o seu interesse
Partilhar nas redes sociais
Voltar