Este ciclo das matérias-primas já não depende apenas da China, mas de uma transformação global mais ampla ligada à transição energética.
Como avalia o atual ciclo das matérias-primas e o que o diferencia dos ciclos anteriores?
Os ciclos das matérias-primas caracterizam-se por uma escassez profunda e estrutural de metais e minerais essenciais para o período em questão. Após anos de subinvestimento, verifica-se agora uma escassez no abastecimento de minerais críticos, numa altura em que a procura está a aumentar devido a inovações como a IA, os centros de dados e as grandes melhorias na infraestrutura energética global. O que distingue este ciclo dos anteriores é a escala e o alcance dos fatores que impulsionam a procura. Trata-se de um fenómeno mundial — já não depende apenas da China —, mas de uma transformação global mais ampla ligada à transição energética.
O âmbito é também mais vasto, com a segurança e a defesa da cadeia de abastecimento na vanguarda da agenda nacional, o que tem levado a um envolvimento mais ativo por parte do governo. Isto pode ser resumido de forma sucinta num comentário que ouvi recentemente numa conferência: «Se os últimos 25 anos se centraram na eficiência global, os próximos 25 anos centrar-se-ão na resiliência».
Quais são as matérias-primas mais subvalorizadas atualmente e onde vê as melhores oportunidades a longo prazo?
Matérias-primas como o cobre, as terras raras, o molibdénio, o antimónio e o tungsténio estão atualmente subvalorizadas, apesar de serem fundamentais para a economia do futuro. O cobre, em particular, é essencial para a eletrificação e está na base de tudo, desde as redes elétricas até aos veículos elétricos. As oportunidades a longo prazo residem no posicionamento precoce nestas cadeias de abastecimento essenciais, especialmente à medida que as tecnologias limpas amadurecem e a procura por estes minerais cresce. Esta abordagem voltada para o futuro foi incorporada no nosso próximo fundo e permitirá a captura de valor à medida que a transição energética se acelera.
O que o leva a acreditar que vale a pena investir numa empresa de exploração em fase inicial?
A decisão de investir numa empresa júnior tem início assim que é identificado um depósito potencialmente viável. A partir daí, o foco recai sobre uma geologia sólida, uma engenharia robusta e o cumprimento das normas ESG. A CD Capital adota uma abordagem de investimento disciplinada, garantindo que todos os fundamentos técnicos, operacionais e ambientais sejam rigorosamente avaliados e validados antes de avançar com qualquer oportunidade. Esta metodologia estruturada permite-nos identificar e mitigar riscos numa fase inicial, manter elevados padrões de due diligence e garantir que cada projeto esteja alinhado com os objetivos de criação de valor a longo prazo e de sustentabilidade.
Como será o setor mineiro daqui a 5 a 10 anos?
Prevejo que a indústria mineira se torne mais integrada verticalmente, com a extração, o processamento e o refino de recursos todos interligados. Isto não só cria cadeias de abastecimento seguras, como também ajuda as empresas a gerar mais valor acrescentado. Já estamos a assistir a países que adotam esta abordagem, sendo a Indonésia o principal exemplo nas suas políticas relativas ao níquel, e às empresas também. Outro benefício desta integração e visibilidade total da cadeia de abastecimento é que os grupos mineiros responsáveis poderão obter um prémio pelos seus produtos. Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos estão a transformar o setor.
A automatização está a melhorar a segurança e a produtividade ao reduzir a intervenção manual, enquanto a exploração baseada em IA permite uma descoberta de jazidas mais rápida e precisa, com custos mais baixos. As tecnologias de extração de baixo impacto estão também a reduzir ainda mais as emissões, o consumo de água e a perturbação do solo, aumentando tanto a eficiência como a sustentabilidade. Nesta nova era, as empresas mais bem-sucedidas serão aquelas que adotarem a tecnologia e, ao mesmo tempo, integrarem os princípios ESG em todas as suas operações.
Ao investir nas comunidades locais, garantir a segurança dos trabalhadores e adotar práticas de economia circular, estas empresas irão criar confiança e obter uma vantagem competitiva no acesso a capital, licenças e parcerias. Em última análise, a integração vertical e a inovação tecnológica, a par da excelência em matéria de ESG, conduzirão a um setor mineiro eficiente, rentável, responsável e preparado para o futuro.
Que conselho daria às jovens que estão a construir uma carreira na área das finanças ou do investimento no setor mineiro?
À medida que o setor mineiro continua a passar por uma profunda transformação, nunca houve um momento mais estimulante para as mulheres liderarem, inovarem e redefinirem o futuro deste setor. Acima de tudo, deve acreditar no valor da sua perspetiva, pois só através de vozes diversas e ideias inovadoras é que o setor continuará a progredir. Uma base sólida nos fundamentos técnicos da mineração é essencial para tomar decisões de investimento acertadas e informadas.
Desenvolver uma visão abrangente e prática das operações de mineração e processamento, complementando o trabalho analítico com experiência no terreno, proporciona uma compreensão autêntica dos desafios do setor. A capacidade de compreender tanto as rochas como os resultados financeiros é uma combinação poderosa, e os mentores certos podem ajudar a transformar esse conhecimento em impacto.
Para levar esta visão ainda mais longe, a CD Capital orgulha-se de patrocinar uma Bolsa de Estudo em Minerais Críticos no Imperial College London, apoiando a próxima geração de líderes que serão fundamentais para impulsionar a transição energética e muito mais.








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