Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

Entrevista com: Tom Revy

26 de abril de 2019 | Notícias do mercado

Tom Revy, Diretor Executivo da Blackearth Minerals

Entrevista realizada por:



















 





     
Fundada em 2016, a BlackEarth Minerals entrou na bolsa de valores australiana (ASX) em 2018. Quais têm sido os vossos desenvolvimentos recentes desde então?

Desde a fundação da BlackEarth, o nosso lema tem sido «caminho rápido para o fluxo de caixa». Antes de entrarmosna bolsa, tivemos de planear como gastaríamos o nosso dinheiro para satisfazer os financiadores da dívida do projeto e os mercados de capitais, com o objetivo final de alcançar o fluxo de caixa. Nos primeiros 12 meses após a cotação, realizámos um estudo de âmbito que se centrou fortemente no estabelecimento de um recurso de qualidade. O nosso objetivo ao realizar um estudo de âmbito avançado era fornecer bases para o avanço direto para um estudo de viabilidade definitivo. Queríamos compreender como o recurso variava da superfície à profundidade e ao longo da extensão, o que implicava compreender todo o espectro químico e mineralógico das nossas zonas mineralizadas. Após a conclusão de extensos trabalhos de testes metalúrgicos, elaborámos então um fluxograma de processo para demonstrar as especificações potenciais do produto aos investidores.


Qual tem sido a razão para a queda do preço das vossas ações desde a oferta pública inicial (IPO)?
O sentimento geral em relação à grafite e a falta de compreensão do setor da grafitetêm sido os principais fatores que contribuíram para aqueda do preço das ações na maioria das empresas de exploração de grafite cotadas na ASX. O mercado da grafite é opaco porque é, em grande parte, um mercado fechado, dominado pelos chineses, onde o produto é frequentemente comprado/vendido caso a caso. Pode haver uma enorme variação no preço da grafite com base numa miríade de parâmetros químicos e físicos do produto. Por exemplo, um aspeto determinante para o material das baterias pode ser a facilidade com que a grafite pode ser esferonizada, o que tem a ver com características físicas e químicas do produto. Até 60% da grafite pode ser perdida no processo de «melhoria» da esferonização, tornando-o um processo caro, mas potencialmente lucrativo.


A BlackEarth Minerals possui atualmente recursos altamente promissores nos seusprojetos de grafitedeManiry e Ianapera, em Madagáscar, bem como na Austrália Ocidental. De onde espera que venha a procura pelos seus futuros recursos de grafite?
Temos um elevado grau de confiança, com 50% do nosso material a exceder os 180 mícrons, o que nos coloca na categoria de grafite de grande a super-jumbo, que abastece todas as indústrias de alto valor. No que diz respeito às baterias, a procura atual e futura deverá provir principalmente do Sudeste Asiático, da Europa, dos Estados Unidos e da China. Os especialistas prevêem que haverá mais de 1,1 terawatts-hora de nova capacidade de baterias até 2028. Para produzir esta quantidade, são necessárias até 900 000 toneladas métricas de grafite adequada para abastecer a indústria. Tendo em conta as perdas e o material «não adequado», a indústria de grafite em flocos naturais terá potencialmente de produzir 2,7 milhões de toneladas métricas de nova grafite. A produção global atual situa-se em 1,2 milhões de toneladas métricas, pelo que a procura acabará por exercer pressão sobre a oferta.


Como prevê que o clima de investimento em torno da grafite venha a mudar nos próximos anos?
Embora os investidores continuem a privilegiar o lítio como metal para baterias, alguns utilizadores finais (fabricantes de baterias e do setor automóvel) parecem estar cada vez mais preocupados com o abastecimento de grafite, enquanto metal essencial. Existe aqui um desfasamento e, eventualmente, as pessoas vão perceber que precisam de começar a investir na grafite. Estamos a tentar antecipar-nos a esta mudança, produzindo grafite numa fase inicial. Esperamos alcançar rapidamente o fluxo de caixa ao iniciarmos a produção até 2021.


Como irá concretizar o seu objetivo de iniciar a produção até 2021?
Tendo em conta o número de potenciais promotores de projetos de grafite e o potencial de expansão da indústria de fabrico de baterias, prevemos que a escassez global de grafite se faça sentir por volta de 2023. Estamos empenhados em iniciar a produção até 2021 e continuamos a analisar opções de financiamento para o projeto – dispomos de um projeto concreto com um elevado grau de confiança. Todas as opções potenciais de financiamento do projeto serão investigadas, incluindo aquelas consideradas «inusitadas», a fim de concretizar o verdadeiro valor para os nossos acionistas. É evidente que compromissos firmes de compra serão fundamentais para obter o financiamento do projeto. Os mercados de utilizadores finais mais prováveis que procuram fornecimento de grafite seriam a Europa, a América do Norte, a China, o Japão e a Coreia do Sul.


Como gostaria que a BlackEarth Minerals fosse vista pelo setor?
O que distingue a BlackEarth Minerals é o facto de sermos dirigidos e geridos por promotores de projetos, tanto do ponto de vista técnico como prático e financeiro. Isto significa que não nos deixamos levar pela perfeição técnica, mas que o nosso foco continua a ser proporcionar o máximo valor aos acionistas. Com as nossas décadas de experiência coletiva no setor, podemos levar adiante um projeto de forma responsável, compreendendo simultaneamente os riscos geopolíticos, de mercado, técnicos e de financiamento. Pretendemos assumir projetos com fluxo de caixa positivo e retornos atrativos para os nossos acionistas. No futuro, as pessoas irão perceber a importância da grafite de qualidade quando a oferta já não conseguir satisfazer a procura, e acreditamos que a indústria da grafite tem potencial para crescer substancialmente.















 

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