Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

Para além da conformidade: co-criar uma licença social de operação duradoura no setor mineiro

09 de novembro de 2025 | Notícias do mercado

A mineração desempenha um papel fundamental na sociedade, fornecendo matérias-primas essenciais que sustentam uma vasta gama de indústrias e produtos. Por exemplo, a Rio Tinto extrai alumínio, cobre, minério de ferro e titânio — cada um dos quais tem aplicações significativas na vida quotidiana e contribui para o crescimento industrial. 

O alumínio é amplamente utilizado na construção, nos transportes e nas embalagens; o cobre é essencial para as tecnologias de energia renovável e a eletrónica; o minério de ferro constitui um insumo fundamental para a produção de aço, crucial para o setor elétrico e as infraestruturas; e o titânio é muito valorizado pela sua utilização em aeronaves e naves espaciais, bem como pelas suas propriedades de resistência à corrosão.

Embora a mineração contribua inegavelmente com um valor imenso para a economia global e o nosso modo de vida moderno, a sua história também é manchada por impactos negativos nos ambientes e nas comunidades em torno das operações mineiras. As repercussões destes impactos continuam a fazer-se sentir hoje em dia, e há um reconhecimento crescente de que os métodos pelos quais a mineração é conduzida devem evoluir para enfrentar estes desafios de forma eficaz. Esta perspetiva sublinha a crescente consciência da indústria de que garantir uma licença social para operar — a ampla aceitação e aprovação da sociedade para conduzir as suas atividades — é essencial para a sustentabilidade a longo prazo dos projetos de mineração.

Definição de licença social

A obtenção da licença social para operar é um processo complexo e contínuo que obriga as empresas mineiras a adaptar as suas estratégias sociais em resposta às expectativas em constante evolução da sociedade. O conceito de licença social para operar pode ser definido da seguinte forma:

  1. «Contar com a aprovação e a ampla aceitação da sociedade para levar a cabo as suas atividades» (Joyce e Thomson 2000: 52).
  2. «Satisfazer as expectativas sociais... obter o apoio dos grupos interessados, ou partes interessadas, para o projeto, para além do cumprimento de quaisquer requisitos legais» (BSR 2003: 4).
  3. O direito dos povos indígenas e de outras partes afetadas «de participar na tomada de decisões e de dar o seu consentimento livre, prévio e informado ao longo de cada fase do ciclo de um projeto» (Salim 2003: 21).
  4. «As exigências e expectativas em relação a uma empresa que emanam dos bairros, dos grupos ambientalistas, dos membros da comunidade e de outros elementos da sociedade civil circundante» (Gunningham, Kagan e Thornton 2003: 308).
  5. «A ideia de que as instalações industriais devem cumprir as expectativas tácitas dos reguladores, das comunidades locais e do público para poderem continuar a operar» (Howard Grenville, Nash e Coglianese 2008: 77).

A evolução da licença social

No panorama mineiro atual, complexo e em rápida evolução, a Licença Social para Operar (SLO) vai muito além das autorizações regulamentares. Trata-se de conquistar e renovar continuamente a confiança da comunidade através da transparência, de práticas empresariais responsáveis e da criação de valor duradouro que beneficie todas as partes interessadas. Esta premissa baseia-se nas conclusões de um recente diálogo matinal organizado pela Rio Tinto à margem do Mining
Indaba — um encontro de líderes da indústria mineira, representantes governamentais e líderes de opinião para explorar «A Evolução da Licença Social para Operar». O moderador Andile Sangqu deu o tom ao sublinhar que «uma licença social não é algo que se obtém uma vez — é um compromisso que deve ser continuamente renovado».

Esta perspetiva sublinha a mudança fundamental na forma como as empresas mineiras devem interagir com as comunidades: não simplesmente como extratoras de recursos, mas como parceiras de longo prazo no desenvolvimento sustentável. Sinead Kaufman, CEO da Rio Tinto Minerals, reforçou esta ideia ao partilhar as suas reflexões sobre como as grandes empresas mineiras precisam de ir além da conformidade a curto prazo e integrar a sustentabilidade em todas as fases do ciclo de vida da mina, garantindo que as comunidades anfitriãs continuem a prosperar muito depois de as operações terem cessado.

Conciliar as necessidades imediatas com um futuro sustentável

As comunidades mineiras são dinâmicas, enfrentando tanto oportunidades como desafios, desde a criação de emprego e o desenvolvimento de infraestruturas até à necessidade de educação e cuidados de saúde. Estas realidades revelam frequentemente uma assimetria de informação e capacidade entre as empresas e as comunidades. Como salientou Jacinto Rocha, presidente e diretor executivo da Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM) de Angola: «Existe uma assimetria de informação e capacidade entre as empresas e as comunidades.» Este desequilíbrio exige um envolvimento proativo e investimento na capacitação, para capacitar as comunidades a participarem de forma significativa na construção do seu próprio futuro.

Jacinto enfatizou ainda a importância de alinhar a educação com as realidades atuais da indústria, afirmando: «As instituições académicas devem rever os programas que os engenheiros e geólogos seguem na universidade, tendo em conta as expectativas em evolução em torno da licença social para operar.» Esta abordagem visionária garante que os futuros líderes da indústria estejam equipados não só com competências técnicas, mas também com uma compreensão profunda do envolvimento comunitário sustentável. Dada a natureza finita dos minerais, as empresas mineiras devem ir além da mitigação dos impactos imediatos e contribuir ativamente para a resiliência a longo prazo das comunidades anfitriãs.

O desafio não é apenas extrair de forma responsável, mas garantir que os sistemas económicos e sociais permaneçam viáveis após o término das atividades de mineração. A questão é: como garantir que os benefícios da mineração perdurem para além da vida útil da própria mina?

Co-concepção: Um novo paradigma para o envolvimento da comunidade

Historicamente, o envolvimento da comunidade na indústria mineira tem-se caracterizado por um processo de tomada de decisões de cima para baixo, em que as soluções são impostas em vez de serem criadas em conjunto. Esta abordagem muitas vezes não consegue dar resposta a necessidades sistémicas mais profundas. Uma mudança para o co-design — em que as empresas e as comunidades colaboram para desenvolver soluções sustentáveis — pode ajudar a colmatar esta lacuna. Ao integrar as vozes da comunidade no planeamento desde o início, as empresas mineiras podem criar estruturas dinâmicas que evoluem em resposta às necessidades em constante mudança. O co-design muda a narrativa de “o que podemos fazer por vocês?” para “como podemos trabalhar juntos por um futuro melhor?” Como destacou um especialista do setor na sessão da Indaba, o desenvolvimento de capacidades é um processo gradual, que requer resiliência, melhoria de competências e investimento sustentado em serviços essenciais. Sinead Kaufman reforçou ainda mais este ponto, afirmando: “Assim como os planos de vida útil da mina evoluem, também deve evoluir a nossa abordagem ao desenvolvimento comunitário. Os nossos compromissos ESG não devem mudar em função da localização.» Esta consistência em padrões elevados em todas as regiões garante que as operações mineiras sejam sustentáveis e inclusivas.

Integrar os critérios ESG: O cerne da liderança na indústria mineira moderna

Os princípios ambientais, sociais e de governação (ESG) já não são meros complementos opcionais; são fundamentais para uma exploração mineira responsável. A responsabilidade social — o «S» em ESG — é particularmente crucial para manter uma licença social de operação. Como observou Jacinto Rocha, «Uma licença social de operação sólida é mais do que apenas abordar questões sociais — é um pilar da segurança da posse». Para as empresas mineiras, integrar os princípios ESG significa:

  • Estabelecer canais de comunicação transparentes no que diz respeito ao uso do solo, à gestão ambiental e às oportunidades económicas.
  • Investir em infraestruturas sociais, tais como a educação, os cuidados de saúde e o desenvolvimento das empresas locais.
  • Garantir que as estruturas de liderança tradicionais sejam parte integrante do processo de tomada de decisões, reforçando o respeito pela cultura e a confiança da comunidade.

Quando os critérios ESG são integrados na estratégia empresarial, em vez de serem tratados como um mero exercício de conformidade, reforçam as relações com as partes interessadas, reduzem os riscos de reputação e garantem o sucesso operacional a longo prazo.

Confiança e liderança tradicional: os alicerces de relações duradouras

A confiança é a base de qualquer parceria duradoura entre as empresas mineiras e as comunidades anfitriãs. A verdadeira transparência exige mais do que relatórios e estatísticas — requer um diálogo contínuo e autêntico e um compromisso comum com objetivos mútuos. Em muitas regiões, a liderança tradicional desempenha um papel central na governação, moldando a coesão social e a tomada de decisões. O vice-ministro Sipho Burns-Ncamashe, do COGTA, enfatizou isto, afirmando: «Relações comunitárias sólidas na mineração assentam numa proposta de valor clara e numa compreensão profunda das dinâmicas sociais. Investir na facilitação social — através do envolvimento contínuo, do respeito pelas tradições culturais e do reconhecimento da governação tradicional — garante parcerias mais significativas e sustentáveis com as comunidades anfitriãs.»

Reconhecer e integrar estas estruturas de liderança nos esforços de envolvimento comunitário promove a confiança e garante que as iniciativas mineiras se alinhem com os costumes e aspirações locais. Isto, por sua vez, reduz mal-entendidos e ajuda a construir parcerias resilientes que resistem ao teste do tempo. «Manter a transparência nas nossas operações e processos de tomada de decisão é essencial para cumprir o nosso SLO. É por isso que levamos muito a sério a comunicação do progresso dos projetos, dos impactos ambientais e dos benefícios para a comunidade — isso ajuda a construir credibilidade e confiança junto de todas as partes interessadas. O cumprimento das regulamentações locais e internacionais é vital para evitar desafios legais e atrasos nos projetos. Garantir que as licenças estão atualizadas e que outras considerações de conformidade foram cumpridas agiliza as nossas operações e reduz o risco de afetar o nosso SLO. Estas são apenas algumas das questões com que o SLO se debate e que podem mudar com as expectativas da sociedade e as realidades no terreno», afirmou Trina Gill, Diretora de ESG – Simandou.

Planear um futuro pós-mineração

Os melhores planos de encerramento são aqueles concebidos logo no início de um projeto mineiro. Um plano social bem integrado adapta-se às necessidades em constante evolução da comunidade ao longo de todo o ciclo de vida da mina e prepara o terreno para um futuro sustentável após o fim da exploração mineira. Esta estratégia com visão de futuro envolve:

  • Planeamento antecipado da diversificação económica, garantindo que as comunidades não dependam exclusivamente da mineração.
  • Investimentos contínuos em infraestruturas sociais que continuam a gerar valor para além do tempo de vida útil da mina.
  • Capacitar a governação local e as organizações comunitárias para impulsionarem o desenvolvimento de forma independente.

Ao adotarem estes princípios, as empresas mineiras podem evitar deixar um vazio económico e social quando as operações cessarem. Em vez disso, podem ajudar a criar comunidades dinâmicas e autossustentáveis, capazes de prosperar para além da vida útil da mina.

O legado que deixamos

As empresas mineiras devem adotar uma visão que vá além da eficiência operacional. Como afirmou Sinead Kaufman: «As decisões certas tomadas hoje moldarão o futuro das gerações vindouras.» A verdadeira medida do sucesso da nossa indústria não estará nos recursos que extraímos, mas no impacto positivo e duradouro que deixamos para trás. Ao concebermos em conjunto estratégias sociais com as partes interessadas locais, ao incorporarmos os princípios ESG e ao planearmos cuidadosamente o encerramento das atividades, podemos criar um legado de resiliência, prosperidade e valor partilhado. O nosso compromisso deve ser claro: iremos forjar parcerias, investir nas pessoas e planear um futuro em que o nosso legado seja de desenvolvimento sustentável, e não de dependência.

A evolução da licença social é uma jornada contínua — que requer liderança, colaboração e um compromisso a longo prazo com as comunidades que servimos.

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