Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

O investimento chinês na indústria mineira africana: o que precisa de saber

16 de outubro de 2019 | Notícias do mercado

O impacto da China na indústria mineira africana não pode ser subestimado.

Ao longo dos anos, a segunda maior economia do mundo investiu milhares de milhões em projetos e empresas de mineração e extração mineral em todo o continente. 

Pela primeira vez em muitos anos, o Ano Novo Chinês não coincide com a Mining Indaba. Temos estado em Xangai e Pequim a promover as inúmeras oportunidades que África oferece aos investidores chineses.

Iremos apresentar as oportunidades africanas aos investidores de toda a China, preparando-os para o evento de fevereiro de 2020.

Este continente rico em recursos é uma mina de ouro para o investimento chinês – literalmente, em alguns casos –, por isso junte-se a nós para analisarmos o impacto e a atividade que os grandes investidores chineses estão a ter na indústria mineira africana. 


O impacto da China na indústria mineira africana

Porquê África?

Para a China, um país que importa cerca de 4 mil milhões de dólares em minerais, minérios e metais todos os meses, de acordo com dados da Trading Economics, investir em África é uma decisão óbvia.

Para começar, a China está a gerar uma procura enorme, gigantesca, por produtos metálicos e minerais. Na qualidade de «fábrica do mundo», as empresas chinesas produzem uma vasta gama de bens que requerem um volume colossal de matérias-primas. 

É um centro global de produção de eletrónica, automóveis e aço, para citar apenas algumas das indústrias que mais recursos consomem.

Para contextualizar, as exportações anuais da China são superiores ao PIB do Reino Unido e mais de quatro vezes superiores ao produto acumulado de África.

A produção mineral africana alimenta a economia chinesa, impulsionada pelas exportações. Através do investimento em empresas e projetos mineiros, as empresas chinesas estão, assim, a garantir um abastecimento de matérias-primas quase exclusivo. 

O IDE também demonstra perspicácia empresarial. O setor mineiro africano é um dos mais promissores do mundo em termos de desenvolvimento de novos projetos e crescimento industrial. Entrar no mercado desde o início, seja através de aquisições, joint ventures ou investimentos criteriosos em projetos, coloca as empresas chinesas numa posição privilegiada para tirar partido dos lucros avultados que a mineração pode proporcionar.
 

Qual é o nível do investimento chinês em África?

As estimativas variam consoante a fonte, mas, em 2019, ultrapassavam os 100 mil milhões de dólares.

A África está há muito no radar da China. Isso é visível no crescimento dos fluxos de caixa de entrada entre 2010 e 2011. O Commodity Discovery Fund, citando dados fornecidos pela CMA, atingiu 217 mil milhões de dólares – um aumento de 140 mil milhões de dólares em relação ao ano anterior.

Um relatório do Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA) indica que, entre 2005 e 2017, as empresas chinesas investiram 58 mil milhões de dólares nas indústrias de mineração e extração mineral do continente. Esse valor representa um terço do IDE chinês em operações mineiras internacionais durante o período em análise.

Embora estes relatos sejam contraditórios, indicam, de facto, a enorme quantidade de dinheiro que a China está a investir na mineração continental.
 

Os minerais que as empresas chinesas procuram encontram-se em África.

Se já conhece a riqueza mineral de África, saberá que o continente possui recursos extraíveis no valor de biliões de dólares. Uma grande parte destes é essencial para a indústria transformadora chinesa.

Estima-se que a África possua 90% das reservas mundiais de platina e cobalto, 50% das reservas globais de ouro, 35% das reservas mundiais de urânio e dois terços de todas as reservas de manganês. Outro mineral fundamental é o coltan, um componente essencial para aparelhos eletrónicos e telemóveis, do qual a África detém 75%. 

Isto para além dos metais habituais, como o ferro e o cobre, pelos quais a China tem um apetite voraz.

Outros minerais produzidos pelos países africanos que despertam o interesse dos compradores chineses incluem o crómio, o cobalto, a bauxite, o tântalo, a ilmenita, o zircónio e, claro, os diamantes.

Os países africanos são os principais produtores desta vasta variedade de metais e minerais. Por exemplo, a República Democrática do Congo produz cerca de 50 % de todo o cobalto mundial, enquanto a África do Sul controla 95 % dos metais do grupo da platina a nível mundial.
 

Principais regiões para a China no setor mineiro africano

Desde 2006, o número de países do continente que têm registado um afluxo de capital ou de atividade chinesa aumentou consideravelmente, especialmente na África Subsariana. Vamos dar uma vista de olhos a algumas das regiões importantes que despertam o interesse das empresas mineiras chinesas.
 

Mali

Os metais utilizados nas baterias estão a registar uma procura excepcionalmente elevada, em grande parte graças aos avanços na produção de veículos elétricos e no design dos telemóveis. O Mali está a revelar-se uma fonte fundamental de lítio, um dos componentes mais importantes das baterias.

Um desenvolvimento fundamental para garantir o abastecimento mundial — e chinês — de lítio é a mina de Goulamina, que possui 31,2 milhões de toneladas deste metal tão procurado. Detida a 100 % pela Mali Lithium, empresa cotada na bolsa australiana, esta mina tem suscitado grande interesse por parte da China Minmetals.

A empresa chinesa ampliou a sua parceria com a Mali Lithium, tendo a sua subsidiária, o Instituto de Investigação de Mineração e Metalurgia de Changsha (CRIMM), a cargo dos estudos de pré-viabilidade e das análises ao minério.

Prevê-se que a cooperação se intensifique assim que a produção em Goulamina tiver início no segundo semestre de 2020. 

Chris Evans, diretor executivo da Mali Lithium, afirmou num comunicado de imprensa: «A China Minmetals é uma empresa estatal chinesa avaliada em 470 mil milhões de dólares, com consideráveis capacidades nas áreas da investigação, financiamento, garantia de compra, engenharia e construção.»

«Concluíram uma análise exaustiva e um processo de due diligence do Projeto Goulamina, o que constitui uma prova da qualidade, dimensão e potencial do projeto, bem como um voto de confiança na nossa gestão, pelo facto de pretenderem aprofundar a nossa relação.»

«A Minmetals recebeu a Mali Lithium nas suas instalações em Changsha, em maio, e as apresentações que nos fizeram confirmaram que a China está a pensar a longo prazo ao considerar o futuro das indústrias dos veículos elétricos e do armazenamento de energia.»


África do Sul

Enquanto parceiros do BRICS, a China e a África do Sul mantêm uma relação comercial sólida, assente principalmente nas exportações de minerais sul-africanos. 85% das exportações sul-africanas para a China consistem em metais preciosos e minerais. Por isso, a China está empenhada em manter em funcionamento as operações mineiras e metalúrgicas da África do Sul para satisfazer a sua procura interna de metais.

Em 2018, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, anunciou que 10 mil milhões de dólares provenientes de um grupo de investidores chineses serão destinados à construção de um complexo metalúrgico, a ser construído pelo China International Railway Group e pelos seus parceiros, a Baobab Mining. 

O complexo incluiria uma fábrica de aço inoxidável, uma fábrica de ferrocromo e uma fábrica de silicomanganês.

Esta é apenas a ponta do icebergue económico no que diz respeito à presença financeira da China na indústria mineira da África do Sul. Os metais do grupo do platina (PGM) revistem-se de enorme importância para a indústria chinesa e, consequentemente, são alvo de um grande volume de investimento estrangeiro direto.

A Weziwe Platinum, por exemplo, recebeu um empréstimo de 650 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento da China para manter a produção em funcionamento. Curiosamente, este empréstimo tem uma taxa de juro muito inferior à habitual — 3,8% contra 8% —, característica do financiamento concedido por instituições chinesas a projetos considerados de elevado valor estratégico.

O empréstimo destinou-se à mina de Bakubung, cuja produção deverá atingir 350 000 onças de metais do grupo da platina quando atingir a capacidade total em 2023.


Zimbábue

O Zimbábue possui recursos considerados essenciais pelo governo chinês, razão pela qual tem vindo a ser alvo de grande interesse por parte de empresas mineiras e investidores chineses.

O Tsingchan Holding Group assinou uma série de acordos que permitirão à empresa explorar minérios de cromo, minério de ferro, níquel e carvão em todo o Zimbábue. O valor do acordo, assinado entre o Tsingchan e o Ministério das Minas do Zimbábue em abril de 2019, ascende a 2 mil milhões de dólares, podendo atingir um valor potencial de 10 mil milhões de dólares. O acordo prevê também a possibilidade de incluir a exploração de lítio.

O acordo prevê a construção de uma siderurgia com capacidade para 2 milhões de toneladas, alimentada por minério do Zimbábue. 

«O memorando de entendimento inicial assinado no ano passado previa a produção de 550 000 toneladas de ferrocromo destinadas exclusivamente ao consumo em Mvuma, mas agora a nossa meta é de 1 milhão de toneladas, tanto para consumo em Mvuma como para exportação», afirmou o ministro das Minas, Winston Chitando.

O acordo inicial previa a produção de coque especificamente para as operações de aço inoxidável em Mvuma, mas agora este será destinado ao consumo local e também à exportação.

Segundo Chitando, haverá uma transformação de carvão de coque em coque, a construção de uma central elétrica e a concessão de uma licença de exploração de lítio para mineração e valorização por parte da Tsingshan.
 

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