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A correção do ouro e da prata irá testar a verdadeira resistência do mercado

24 de outubro de 2025 | Notícias do mercado | Ole Hansen | Diretor de Estratégia de Matérias-Primas | Saxo Bank

O ouro e a prata estão a passar por uma correção há muito esperada, desencadeada por uma desaceleração da procura física por parte dos principais compradores asiáticos após o Diwali. A correção mais acentuada da prata em relação ao ouro volta a destacar o fosso de liquidez entre os dois mercados.

Pontos principais

  • O ouro e a prata estão a passar por uma correção há muito esperada, desencadeada por uma desaceleração da procura física por parte dos principais compradores asiáticos após o Diwali.
  • A correção mais acentuada da prata em relação ao ouro volta a destacar o fosso de liquidez entre os dois mercados — a liquidez da prata é cerca de nove vezes inferior —, o que amplifica tanto as subidas como as quedas.
  • Os fatores estruturais subjacentes às subidas históricas registadas este ano permanecem intactos, o que faz com que os metais, que já não se encontram em situação de sobrecompra mas continuam a ser subrepresentados nas carteiras, continuem a beneficiar de um forte apoio a longo prazo.
O risco de uma correção nos preços do ouro e da prata tem vindo a aumentar de forma constante nos últimos dias, embora a procura excepcionalmente forte antes do Diwali tenha ajudado a sustentar os preços. No entanto, uma recuperação prolongada de caráter muito técnico, combinada com um clima renovado de apetite pelo risco nos mercados bolsistas, um dólar mais forte e, não menos importante, o início do Diwali — que normalmente assinala uma diminuição da procura física proveniente da Ásia —, levou os operadores a tornarem-se cada vez mais cautelosos, mais focados em proteger os ganhos do que em perseguir novos máximos.

Embora não seja claro qual foi o verdadeiro fator desencadeador da correção percentual drástica registada na segunda-feira e nas primeiras horas da manhã na Ásia, as três tentativas consecutivas e infrutíferas do ouro de ultrapassar os 4 380 dólares americanos provavelmente contribuíram para mudar a mentalidade dos investidores, que passaram de procurar mais ganhos para proteger os que já tinham sido alcançados.

O que se seguiu foi uma corrida clássica para uma saída demasiado estreita para dar resposta à súbita onda de vendas por parte de operadores alavancados com foco técnico e de compradores recentes que se viram em posição de prejuízo. A evolução mais recente dos preços voltou a sublinhar a importância das diferenças de liquidez entre o ouro e a prata, sendo que esta última apresenta uma liquidez cerca de nove vezes inferior à do ouro. Estas disparidades amplificam tanto as subidas como as correções: um aumento repentino da procura depara-se rapidamente com uma oferta limitada, e qualquer tendência para a realização de lucros produz variações percentuais desproporcionadas.

O ouro e a prata recuperaram durante a sessão asiática, após terem prolongado brevemente a onda de vendas de terça-feira, a mais acentuada dos últimos anos. Esta forte correção demonstra o quão unilateral se tinha tornado o foco do mercado, levando a um reajuste natural após uma forte subida de nove semanas, durante a qual o ouro valorizou 31% e a prata 45%. Como mencionado, para além do dólar mais forte, o principal catalisador foi a menor procura indiana na sequência do Diwali. Entretanto, a prata recuperou da zona de suporte de 47,80 dólares, com compradores de ouro a surgirem logo acima dos 4000 dólares. Ambos os metais precisavam de uma correção para evitar que a recuperação se transformasse numa bolha que mais tarde pudesse rebentar de forma ainda mais violenta.

No que diz respeito à prata, a atenção do mercado centrou-se agora na investigação em curso nos EUA, ao abrigo da Secção 232, sobre as importações de minerais essenciais, incluindo a prata, a platina e o paládio — uma decisão que poderá redefinir as cadeias de abastecimento a curto prazo e a dinâmica dos preços de ambos os lados do Atlântico.

Um cenário sem tarifas aliviaria a escassez em Londres, permitindo que mais metal detido nos EUA fluísse para a Europa, reduzindo o recente prémio de Londres sobre a COMEX — que atingiu níveis extremos durante a pandemia — e fazendo com que as taxas de arrendamento a um mês voltassem ao normal.

Em contrapartida, a imposição de direitos aduaneiros teria o efeito oposto. O metal que já se encontra nos Estados Unidos ficaria parcialmente retido, intensificando a escassez em Londres e fazendo subir os prémios da COMEX. Nesse cenário, a prata poderia rapidamente voltar a testar — e potencialmente ultrapassar — os máximos recentes, impulsionada por uma nova dinâmica de escassez, em vez de um crescimento genuíno da procura.

Por fim, mantemos uma perspetiva otimista para o ouro e a prata até 2026 e, após uma correção/consolidação tão necessária, os operadores provavelmente farão uma pausa para refletir antes de concluir que os fatores que impulsionaram as subidas históricas deste ano não desapareceram e que provavelmente continuarão a oferecer apoio a metais que já não se encontram sobrecomprados, mas que continuam subrepresentados nas carteiras. A curto prazo, as reuniões entre Trump e Xi, e entre Trump e Putin – caso venham a realizar-se – são eventos de risco fundamentais que poderão ajudar a determinar a duração do atual revés.

Sobre o autor

Ole Hansen ingressou na Saxo em 2008 e ocupa o cargo de Diretor de Estratégia de Matérias-Primas desde 2010. Ole dedica-se a apresentar estratégias e análises dos mercados globais de matérias-primas, com base em indicadores fundamentais, sentimentos do mercado e evoluções técnicas.

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