O ouro e a prata estão passando por uma correção há muito esperada, desencadeada por uma desaceleração pós-Diwali na procura física por parte dos principais compradores asiáticos. A correção mais profunda da prata em relação ao ouro destaca mais uma vez a diferença de liquidez entre os dois mercados.
Principais conclusões
- O ouro e a prata estão passando por uma correção há muito esperada, desencadeada por uma desaceleração pós-Diwali na procura física por parte dos principais compradores asiáticos.
- A correção mais profunda da prata em relação ao ouro destaca mais uma vez a diferença de liquidez entre os dois mercados — a liquidez da prata é cerca de nove vezes menor —, amplificando tanto as altas quanto as baixas.
- Os fatores estruturais por trás das altas históricas deste ano permanecem intactos, deixando os metais que não estão mais sobrecomprados, mas ainda subvalorizados nas carteiras, bem sustentados no longo prazo.
Embora o verdadeiro gatilho para a dramática correção percentual na segunda-feira e nas primeiras horas da manhã na Ásia não esteja claro, três tentativas consecutivas e malsucedidas do ouro de ultrapassar os US$ 4.380 provavelmente ajudaram a mudar a mentalidade de buscar mais ganhos para proteger aqueles que já haviam sido alcançados.
O que se seguiu foi uma corrida clássica em direção a uma saída demasiado estreita para lidar com a súbita explosão de vendas por parte de operadores alavancados com foco técnico e compradores recentes que se viram em situação desfavorável. A última ação dos preços mais uma vez destacou a importância das diferenças de liquidez entre o ouro e a prata, com esta última apresentando uma liquidez cerca de nove vezes menor do que a do ouro. Essas disparidades amplificam tanto as altas quanto as correções: um aumento repentino nas compras rapidamente se depara com uma oferta limitada, e qualquer mudança em direção à realização de lucros produz movimentos percentuais exagerados.
O ouro e a prata recuperaram durante a sessão asiática, após prolongarem brevemente a queda de terça-feira, a mais acentuada em anos. A forte correção mostra como o foco se tornou unilateral, levando a uma reajustamento natural após uma forte alta de nove semanas, que viu o ouro ganhar 31% e a prata 45%. Como mencionado, além do dólar mais forte, o principal catalisador foi a menor procura indiana após o Diwali. Enquanto isso, a prata recuperou-se da área de suporte de US$ 47,80, com compradores de ouro a surgirem logo acima de US$ 4.000. Ambos os metais precisavam de uma correção para evitar que a recuperação se transformasse numa bolha que poderia estourar ainda mais violentamente mais tarde.
No caso da prata, o foco do mercado mudou agora para a investigação pendente nos EUA, ao abrigo da Secção 232, sobre as importações de minerais críticos, incluindo prata, platina e paládio — uma decisão que poderá remodelar as cadeias de abastecimento a curto prazo e a dinâmica dos preços em todo o Atlântico.
Um resultado sem tarifas aliviaria a escassez em Londres, permitindo que mais metal detido pelos EUA fluísse para a Europa, reduzindo o recente prémio de Londres sobre o COMEX, que atingiu extremos na era da pandemia, e empurrando as taxas de arrendamento de um mês de volta ao normal.
Em contrapartida, as tarifas teriam o efeito oposto. O metal já presente nos Estados Unidos ficaria semi-preso, intensificando a escassez em Londres e elevando os prémios da COMEX. Nesse cenário, a prata poderia rapidamente testar novamente — e potencialmente exceder — as máximas recentes, impulsionada por uma dinâmica de aperto renovada, em vez de um crescimento genuíno da procura.
Por fim, mantemos uma perspetiva otimista para o ouro e a prata até 2026 e, após uma correção/consolidação muito necessária, os traders provavelmente farão uma pausa para refletir antes de concluir que os desenvolvimentos que impulsionaram as altas históricas deste ano não desapareceram e provavelmente continuarão a oferecer suporte aos metais que não estão mais sobrecomprados, mas permanecem subvalorizados nas carteiras. No curto prazo, as reuniões entre Trump e Xi e entre Trump e Putin — se forem realizadas — são eventos de risco importantes que podem ajudar a determinar a duração do atual revés.
Sobre o autor
Ole Hansen ingressou na Saxo em 2008 e é diretor de estratégia de commodities desde 2010. Ole concentra-se em fornecer estratégias e análises dos mercados globais de commodities definidos por fundamentos, sentimentos do mercado e desenvolvimentos técnicos.RELACIONADO: Harmony Gold garante investimento de US$ 1,01 bilhão no setor de cobre








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