Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

Lições do setor do petróleo e do gás: uma visão para a inovação na mineração

10 de abril de 2026 | Notícias do mercado

O setor mineiro não precisa reinventar a roda no que diz respeito à inovação e à adoção de tecnologia; pode aprender com setores afins, nomeadamente o do petróleo e do gás.

Thabile Makgala, vice-presidente executivo da Sasol, transmitiu uma mensagem convincente aos líderes do setor mineiro na MI26: a indústria mineira não precisa de reinventar a roda no que diz respeito à inovação e à adoção de tecnologia; pode aprender com setores afins, em particular o do petróleo e do gás. 

As suas ideias, partilhadas durante a sessão intitulada «Inovação através do intercâmbio de conhecimentos – o que pode a indústria mineira aprender com a tecnologia do petróleo e do gás?», e um entrevista com a MITV destacou lições práticas e imperativos estratégicos para acelerar a adoção de tecnologias no setor mineiro. A perspetiva de Makgala é especialmente relevante num momento em que o setor mineiro entra numa nova era de transformação digital, enfrentando sistemas legados, desafios relacionados com a preparação da força de trabalho e a necessidade imperativa de modernizar as operações em prol da segurança, eficiência e competitividade.

As empresas do setor do petróleo e do gás já percorreram grande parte deste caminho, adotando soluções digitais avançadas, implementando estruturas robustas de gestão de riscos e incorporando a inovação no seu ADN operacional. Para a Makgala, esta experiência constitui um manual de estratégias que o setor mineiro pode adaptar e aplicar de forma ponderada.

Por que é importante a aprendizagem entre setores

Makgala iniciou a sua intervenção definindo claramente o desafio: historicamente, o setor mineiro tem sido mais lento a adotar tecnologias disruptivas em comparação com os setores do petróleo e do gás. Enquanto setores como o do petróleo e do gás já integraram plataformas de IoT, análises avançadas e sistemas de deteção de riscos em tempo real nas suas operações, o setor mineiro continua a debater-se com uma adoção inconsistente e com resistências culturais. A pergunta que ela colocou foi simples, mas provocadora: «Porquê reinventar a roda?», especialmente quando os fornecedores de tecnologia já oferecem soluções maduras e testadas no terreno em ambos os setores.

No setor do petróleo e do gás, a transformação digital foi impulsionada pela necessidade: operações remotas, ambientes de alto risco e a necessidade de tomar decisões em tempo real levaram as empresas a investir desde cedo em tecnologias que agora poderiam trazer benefícios imediatos se fossem cuidadosamente adaptadas aos contextos da mineração. Plataformas de gestão de ativos conectadas, algoritmos de manutenção preditiva e sistemas de segurança baseados em sensores são apenas alguns exemplos de ferramentas que a mineração pode adotar sem ter de começar do zero.

Superar os sistemas e mentalidades obsoletos

Um tema central nas observações de Makgala foi a importância de enfrentar os sistemas legados e a inércia organizacional. Muitas empresas mineiras enfrentam processos profundamente enraizados que retardam a adoção de novas tecnologias. As empresas do setor do petróleo e do gás, observou ela, enfrentaram obstáculos internos semelhantes e aprenderam que a tecnologia só é eficaz na medida em que a organização está disposta a adotá-la.

Makgala exortou os líderes do setor mineiro a encararem a inovação como um processo de gestão da mudança; um processo que começa com o empenho da liderança e se estende por toda a empresa. Isto inclui uma comunicação clara sobre o valor da tecnologia, objetivos transparentes para a implementação e o envolvimento precoce dos trabalhadores da linha da frente que irão utilizar os sistemas diariamente.

Preparar a força de trabalho para a transformação

Outra conclusão fundamental da sessão de Makgala foi a necessidade de preparar a força de trabalho para a evolução tecnológica. Os desafios da adoção não são meramente técnicos; são profundamente humanos. Os trabalhadores precisam de ter a certeza de que a tecnologia irá complementar as suas funções, e não substituí-los, e precisam de formação que lhes permita utilizar as novas ferramentas de forma eficaz.

As empresas do setor do petróleo e do gás têm investido significativamente em programas de aperfeiçoamento e requalificação profissional, combinando frequentemente a implementação de ferramentas digitais com o desenvolvimento da força de trabalho. Makgala sugeriu que o setor mineiro poderia acelerar a sua transformação adotando estes modelos de formação, adaptando-os ao contexto mineiro e envolvendo os trabalhadores numa fase inicial do processo.

Gerir o risco e, ao mesmo tempo, acelerar a adoção

A inovação e a gestão de riscos andam de mãos dadas. Uma mensagem recorrente na intervenção de Makgala foi que a adoção de tecnologia deve assentar em estruturas rigorosas de gestão de riscos. O setor do petróleo e do gás há muito que enfatiza a segurança desde a conceção e a mitigação de riscos como pilares centrais da implementação tecnológica. A mineração, argumentou ela, pode aprender com estas estruturas para garantir que as novas soluções reforcem a segurança e a resiliência operacional, em vez de introduzirem vulnerabilidades imprevistas.

Ao aplicar estratégias tecnológicas baseadas na gestão de riscos, as empresas mineiras podem reforçar a confiança entre as partes interessadas — desde investidores a entidades reguladoras e colaboradores — e criar um ambiente mais estável para a expansão da inovação.
O papel da liderança

Makgala deixou claro que a liderança executiva desempenha um papel fundamental na promoção da transformação. Na sua opinião, a adoção de tecnologia não é uma função da gestão intermédia; começa no topo. Os líderes devem defender a inovação, alocar recursos de forma ponderada e responsabilizar as suas organizações pelo progresso mensurável.

As suas observações refletiram um tema recorrente na Mining Indaba 2026: a transformação tecnológica é, em última análise, uma transformação das pessoas. Isso significa que os líderes executivos devem dar o exemplo da mudança que pretendem ver, integrando os objetivos tecnológicos em estratégias empresariais mais amplas que dêem prioridade à segurança, à produtividade e à sustentabilidade.

Um caminho comum a seguir

O apelo à ação de Makgala na Mining Indaba foi prático e voltado para o futuro. Ao olhar para além das fronteiras tradicionais da mineração e aprender com setores como o do petróleo e do gás, a indústria mineira pode acelerar a sua transição digital. A mensagem não consistia em copiar soluções na íntegra, mas sim em adaptar tecnologias comprovadas e práticas culturais de forma a responder aos desafios e oportunidades únicos da mineração.

À medida que o setor mineiro continua a enfrentar pressões para melhorar os resultados em matéria de segurança, reduzir custos e reforçar a gestão ambiental, a aprendizagem entre setores oferece uma via pragmática e de grande impacto para transformar as operações com confiança e rapidez. Para os líderes que investem hoje na modernização, as perspetivas da Makgala abriram caminho para um futuro em que a inovação não é uma visão distante, mas sim uma vantagem estratégica imediata.
 

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