África deve estabelecer parcerias de investimento que lhe garantam uma parte justa da sua própria riqueza mineral.
Esta foi a mensagem que emergiu do Simpósio Ministerial na véspera do Investing in African Mining Indaba 2026, que contou com a presença de líderes governamentais de vários Estados africanos, bem como de investidores, banqueiros e decisores empresariais de todo o mundo.
Ao proferir o discurso principal na sessão plenária do simpósio ministerial Mining Indaba, o Ministro dos Recursos Minerais e Petrolíferos da África do Sul, Gwede Mantashe, afirmou que o evento deve promover o crescimento global inclusivo através da solidariedade, da igualdade e da sustentabilidade.
Ele referiu-se à recente Cimeira do G20, a primeira em solo africano, como prova da crescente confiança no envolvimento multilateral e do papel crucial de África no diálogo global.
«A parceria global para o desenvolvimento sustentável é essencial se quisermos garantir que ninguém fica para trás», afirmou. «África detém uma quota sem paralelo dos recursos naturais essenciais para a industrialização, a digitalização e o crescimento económico global, mas o nosso continente continua, em grande parte, pobre. Isto tem de acabar.»
Mantashe apontou acordos como a declaração do G20 e o Quadro de Minerais Críticos do G20 como fornecendo um caminho claro para desbloquear o investimento na exploração mineral, beneficiamento local e governação para uma mineração sustentável.
Ele afirmou que tais acordos afirmam o direito dos países dotados de minerais de aproveitar os seus recursos para a industrialização e o crescimento inclusivo, ao mesmo tempo que proporcionam certeza a longo prazo.
Mantashe ecoou o tema do simpósio, “Banking on Africa: Mobilising capital through partnership” (Apostando na África: Mobilizando capital através de parcerias), incentivando a colaboração entre os setores público e privado, investidores e comunidades para desbloquear todo o potencial dos minerais críticos de África para a sua população.
«A mobilização de capital na escala necessária para a exploração, a mineração responsável e a criação de valor acrescentado mais perto do ponto de produção não pode ser alcançada por governos ou pelo setor privado a operar isoladamente», afirmou. «Requer parceria.»
Referiu o Fundo de Exploração Mineira Júnior da África do Sul como um exemplo dessa parceria. A partir de uma dotação inicial de 400 milhões de rands, o Fundo já atraiu compromissos no valor de 2 mil milhões de rands.
Mantashe afirmou ainda que o continente necessita de parcerias para intensificar a exploração geológica e o mapeamento, a fim de explorar o potencial geológico.
“Esses esforços são essenciais para mitigar a escassez de minerais críticos e diversificar as fontes geográficas de produção”, afirmou.
Outros oradores no simpósio apontaram para a necessidade de mobilizar fundos para impulsionar a próxima fase da industrialização de África.
O presidente do Conselho de Minerais da África do Sul, Paul Dunne, CEO da Northam Platinum Holdings, identificou dois desafios claros na construção de parcerias público-privadas no setor mineiro: políticas e dados mineiros.
“A África ainda não atraiu a sua quota-parte justa de investimento em exploração”, afirmou. “Precisamos de mitigar o risco dos empreendimentos de exploração através de regimes políticos e fiscais previsíveis. O nosso segundo requisito é construir um cadastro transparente, livre de corrupção e de disputas excessivas sobre concessões.”
Mantashe afirmou que o investimento em infraestruturas, instalações de processamento e ecossistemas industriais constituía outra forma decisiva de parceria, garantindo que mais valor fosse retido localmente.
«A era em que África competia contra si própria para ver quem oferecia os rendimentos mais baixos não é uma estratégia de investimento sustentável», concluiu. «Temos a oportunidade de estruturar parcerias que sejam transparentes, previsíveis e mutuamente benéficas.»
Ele afirmou que, se as parcerias fossem estruturadas corretamente, a riqueza mineral de África deixaria de se limitar ao fornecimento de minerais em bruto aos mercados globais, passando a servir de alicerce para a industrialização, o emprego e o crescimento inclusivo em todo o continente.
«Que esta Mining Indaba seja uma plataforma onde os compromissos se traduzam em projetos e as parcerias em prosperidade partilhada», concluiu.
A Investing in African Mining Indaba decorre até 12 de fevereiro no CTICC, na Cidade do Cabo.








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