À medida que a procura global por minerais essenciais se intensifica, a questão que se coloca ao setor mineiro africano já não é apenas como extrair os recursos, mas como garantir que as comunidades do continente participem de forma significativa no valor criado.
Ao discursar na Mining Indaba 2026, Kgosi Seatholo, presidente da Câmara Nacional dos Líderes Tradicionais Khoisan, apresentou as parcerias como a alavanca para transformar a riqueza mineral em desenvolvimento inclusivo.
A mensagem de Seatholo foi clara: sem uma colaboração genuína entre empresas mineiras, governos e comunidades, o tão anunciado boom dos minerais críticos corre o risco de repetir as desigualdades do passado. «A promessa existe», sugeriram as suas observações, «mas também existem os perigos se as comunidades continuarem à margem da tomada de decisões.»
Da consulta à cocriação
No cerne da perspetiva de Seatholo está a necessidade de ir além da consulta processual, rumo a uma inclusão significativa das lideranças tradicionais e das vozes da comunidade. Em muitas partes de África, a exploração mineira ocorre em terras regidas por sistemas consuetudinários, o que torna as autoridades tradicionais partes interessadas fundamentais tanto para a legitimidade como para a estabilidade a longo prazo dos projetos.
Ele argumentou que as parcerias devem ser estruturadas numa fase inicial, muito antes do início do desenvolvimento do projeto, para garantir que as comunidades ajudem a moldar os resultados, em vez de reagirem a eles. Isto inclui o envolvimento em acordos de acesso à terra, planeamento do desenvolvimento e supervisão ambiental.
Tal abordagem, observou ele, não é apenas socialmente responsável, é comercialmente pragmática. Os projetos que garantem a adesão local têm mais probabilidades de evitar atrasos dispendiosos, protestos e riscos de reputação.
Redefinir a beneficiação ao nível da comunidade
Um tema central na contribuição de Seatholo foi a necessidade de repensar o que «beneficação» significa na prática. Embora os debates políticos se centrem frequentemente na industrialização a jusante, ele salientou que a beneficiação ao nível local é igualmente crítica.
Isto, sublinhou ele, deve incluir:
• Empregos sustentáveis e desenvolvimento de competências que perdurem para além da vida útil da mina
• Participação das comunidades no capital de projetos mineiros
• Investimento em infraestruturas, tais como estradas, sistemas de abastecimento de água e escolas
• Apoio ao desenvolvimento de empresas locais e à contratação pública
Neste contexto, a beneficiação não é um objetivo abstrato de política industrial — é um resultado tangível e concreto para as comunidades diretamente afetadas pela atividade mineira.
Parcerias que dão certo
Seatholo destacou exemplos emergentes em todo o continente onde as parcerias entre empresas mineiras, comunidades e instituições de desenvolvimento estão a começar a produzir resultados mais equilibrados. Entre estes contam-se fundos comunitários, acordos de codesenvolvimento e modelos estruturados de partilha de benefícios que alinham os incentivos entre as partes interessadas.
No entanto, alertou que as parcerias bem-sucedidas assentam em mais do que meros quadros contratuais. «A confiança e a responsabilização são a verdadeira moeda», sugeriram as suas observações, destacando a necessidade de transparência na forma como as receitas são partilhadas, como os compromissos são acompanhados e como as queixas são tratadas.
A monitorização independente, canais de comunicação claros e acordos exequíveis foram todos citados como componentes essenciais na construção desta confiança.
Lacunas nas políticas e o caminho a seguir
Embora a indústria tenha um papel fundamental a desempenhar, Seatholo sublinhou que a política governamental continua a ser um fator decisivo na definição dos resultados. Na sua forma atual, sugeriu ele, os quadros políticos muitas vezes não conseguem garantir uma participação consistente da comunidade e uma distribuição equitativa dos benefícios.
As principais áreas de reforma incluem:
• Um reconhecimento mais claro das estruturas de liderança tradicionais na legislação mineira
• Estruturas normalizadas para a equidade comunitária e a partilha de receitas
• Uma aplicação mais rigorosa dos compromissos sociais e laborais
• Um maior alinhamento entre os objetivos de desenvolvimento nacionais e as realidades locais
Sem estas mudanças, alertou ele, mesmo as parcerias bem-intencionadas correm o risco de ser prejudicadas pela ambiguidade regulamentar e pela fraca implementação.
Uma oportunidade decisiva
À medida que a transição energética global impulsiona uma procura sem precedentes pelos recursos minerais de África, desde o lítio às terras raras, o que está em jogo nunca foi tão importante. Para Seatholo, o caminho a seguir não consiste em escolher entre crescimento e equidade, mas sim em conceber parcerias que proporcionem ambos.
O boom dos minerais críticos do continente, sugeriu ele, representa uma oportunidade única nesta geração para redefinir a relação entre a mineração e as comunidades. A concretização dessa oportunidade dependerá da vontade de todas as partes interessadas de ir além da retórica e comprometerem-se com modelos de desenvolvimento verdadeiramente inclusivos.
No final, a mensagem da Mining Indaba foi inequívoca: a riqueza mineral de África só pode ser considerada um sucesso se se traduzir em prosperidade partilhada ao nível das comunidades, e as parcerias determinarão se essa promessa será cumprida.








-Logo_CMYK_1.jpg?width=1000&height=500&ext=.jpg)









.png?width=300&height=208&ext=.png)

_mi25-weblogo.png?ext=.png)

_1.png?ext=.png)



































_logo.png?ext=.png)

_mi25-weblogo.png?ext=.png)



