Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

Parcerias: a vantagem competitiva no setor dos diamantes

25 de fevereiro de 2026 | Notícias do mercado

Numa recente entrevista à Mining Indaba TV, Gareth Penny, presidente da Ninety One e antigo diretor executivo do Grupo De Beers, transmitiu uma mensagem clara e urgente à cadeia de valor global dos diamantes: a colaboração já não é opcional; é o único caminho para a sobrevivência a longo prazo do setor.

Literalmente

«Nunca vi um conjunto de forças tão desafiante como o que se apresenta hoje.»
À luz dos desafios atuais
«Sabes, sou otimista, por isso acho que tudo isso está sob o controlo do setor.»
Sobre o otimismo e o controlo da indústria
«Isto remete-nos para o cerne do tema da Indaba deste ano, que gira em torno da parceria. O setor deve trabalhar em conjunto, ao longo de todo o processo...»
Sobre a parceria como tema central
«Neste momento, existe uma espécie de narrativa negativa em torno dos diamantes e do que se passa com os sintéticos… e sobre se o setor dos diamantes naturais consegue competir com os sintéticos.»
Sobre a comunicação e a narrativa negativa atual

Com mais de 40 anos de experiência nos setores da mineração, dos diamantes, da energia e dos investimentos globais, Penny testemunhou vários ciclos de transformação no mercado das matérias-primas. No entanto, argumenta ele, o panorama atual do setor dos diamantes é excepcionalmente complexo, caracterizado por expectativas em constante mudança por parte dos consumidores, fragmentação geopolítica e substitutos disruptivos, como os diamantes cultivados em laboratório. Para os líderes empresariais de toda a cadeia de valor dos diamantes, a análise de Penny sublinha uma verdade fundamental: as parcerias significativas estão a tornar-se o ativo estratégico mais importante para a indústria dos diamantes naturais.

Um setor numa encruzilhada

Penny salienta que a confiança dos consumidores, especialmente entre os grupos etários mais jovens, se revelou um dos ativos mais frágeis do setor. Os compradores exigem cada vez mais provas de ética, gestão ambiental e rastreabilidade, pressionando os produtores, comerciantes e retalhistas a demonstrarem práticas responsáveis. No entanto, apesar dos progressos substanciais alcançados com os sistemas de certificação e as tecnologias de rastreabilidade, continuam a existir lacunas de confiança. Estas vulnerabilidades são agravadas por:

Tensões geopolíticas: perturbando as cadeias de abastecimento e afetando a perceção da origem
Concorrência dos diamantes cultivados em laboratório: que apresentem uma visão clara sobre a sustentabilidade e preços transparentes
Esforços de marketing fragmentados: deixando os consumidores na incerteza quanto à proposta de valor dos diamantes naturais

Neste contexto, Penny defende que as respostas isoladas de empresas individuais não serão suficientes. O setor deve, coletivamente, reforçar a narrativa sobre os diamantes naturais: de onde vêm, como são produzidos e por que continuam a ser importantes.

O poder da ação coletiva

Refletindo sobre os capítulos anteriores da história do diamante, Penny observou que o setor alcançou o maior sucesso quando atuou como um ecossistema unificado. Estruturas de governação a nível de toda a indústria, plataformas de marketing partilhadas e iniciativas de cooperação têm, historicamente, ajudado a fomentar a confiança dos consumidores e a estabilidade do mercado. Hoje, acredita ele, são necessários os mesmos princípios – só que agora com maior urgência. Uma colaboração eficaz deve envolver:

Produtores, alinhando-se às normas de sustentabilidade e aos protocolos de rastreabilidade
Profissionais de marketing, trabalhando em conjunto para expressar o significado emocional e cultural dos diamantes naturais
Lojas, garantindo transparência e uma comunicação coerente na interação com o cliente
Governos, proporcionando clareza regulamentar e promovendo ambientes favoráveis ao investimento

Penny salientou que nenhuma parte interessada consegue restabelecer a confiança sozinha. A indústria do diamante deve adotar uma abordagem coordenada, baseada numa governação responsável e nas melhores práticas de sustentabilidade.

Onde são mais necessárias parcerias mais estreitas

Segundo Penny, a prioridade é melhorar a credibilidade e a interoperabilidade dos sistemas de rastreabilidade. Os consumidores de artigos de luxo de hoje querem certezas, e as parcerias ao longo da cadeia de abastecimento são essenciais para harmonizar os dados, as normas de certificação e a informação dirigida ao consumidor. Em seguida, o setor deve restabelecer uma voz de marketing unificada. Os diamantes cultivados em laboratório tiveram sucesso, em parte, devido a uma mensagem consistente. Os diamantes naturais devem responder não com argumentos defensivos, mas com uma narrativa convincente e partilhada sobre a raridade, o impacto na comunidade e o valor a longo prazo. Por fim, Penny salienta a colaboração com os governos anfitriões. A estabilidade política, a governação do investimento e os quadros de benefício mútuo são fundamentais para garantir que os diamantes naturais continuem a contribuir de forma significativa para as economias nacionais, mantendo simultaneamente a competitividade global.

Manter-se relevante num mercado em rápida evolução

Para os líderes empresariais, as orientações de Penny oferecem um quadro estratégico claro: reforçar as parcerias, dar prioridade à governança, aprofundar a integração da sustentabilidade e unificar a mensagem. À medida que o consumo de artigos de luxo passa a ser cada vez mais impulsionado por valores, e não apenas pela estética, as marcas e os produtores que conseguirem demonstrar credibilidade serão aqueles que perdurarão. Nas palavras de Penny, a indústria dos diamantes naturais encontra-se num momento crucial. A sua relevância futura dependerá não das ações de empresas individuais, mas da capacidade do setor se alinhar em torno de uma missão comum. A colaboração, outrora uma estratégia de apoio, tornou-se agora o caminho central para a resiliência.

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