A indústria mineira está presa num círculo vicioso de acusações e condenações, mas com ações insuficientes no que diz respeito à violência e ao assédio baseados no género. O que precisa mudar para quebrar esse ciclo?
A indústria mineira global construiu uma cultura impressionante em torno da segurança física – sem dúvida, a principal prioridade do setor. Empresas responsáveis dedicaram uma quantidade enorme de tempo, esforço e capital para cultivar isso e implementar processos, estruturas e ferramentas que apoiam o trabalho seguro.
Os impactos são evidentes na tendência de queda no número de mortes e ferimentos nos últimos 10 a 20 anos nas empresas membros do ICMM, que representam cerca de um terço da indústria global de mineração e metais. A segurança é uma preocupação em nível setorial e está comprovado que ações sustentadas em nível setorial podem trazer resultados positivos. A expansão deste conceito para abranger a segurança psicológica e cultural é essencial para combater formas generalizadas de assédio e outras formas de discriminação.
Para ser «sustentável», ou seja, mantida a um determinado ritmo, a mineração requer uma força de trabalho qualificada. Embora tenha sido dada muita atenção à mudança para a mecanização e automação da extração nos últimos anos, as competências humanas, o conhecimento e a tomada de decisões continuam a ser fundamentais para o sucesso das operações.
Sem um fluxo constante de talentos, as mineradoras terão cada vez mais dificuldade, se não impossibilidade, de atingir as metas de produção futuras. E com a aceitação social e o acesso ao capital sinalizados entre os 10 principais riscos do setor por vários anos consecutivos, surge a questão de saber se o setor está se expondo a perturbações por meio de ações insuficientes.
A segurança é responsabilidade de todos
Embora a mudança cultural deva começar no topo, incorporá-la nas organizações para garantir a verdadeira segurança é responsabilidade de todos. Desde colegas no local que atuam como aliados, denunciando comportamentos inaceitáveis quando eles ocorrem, até organizações associativas que defendem o emprego feminino e partes interessadas que continuam a exigir que as empresas mantenham altos padrões sociais, todas as pessoas têm um papel a desempenhar na erradicação da violência de género por meio da conscientização e ação contínuas.








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