Impulsionar o investimento sustentável na indústria mineira africana

A African Rainbow Minerals junta-se à candidatura para o terminal estratégico de exportação de manganês de Ngqura

06 de março de 2026 | Notícias do mercado

A African Rainbow Minerals irá participar numa proposta de consórcio para construir e explorar um novo terminal de exportação de manganês no Porto de Ngqura, um projeto amplamente considerado fundamental para libertar a capacidade de exportação do país deste mineral essencial para a produção de aço.

O anúncio foi feito em conjunto com a divulgação dos resultados financeiros intercalares da ARM, a 6 de março de 2026, altura em que a empresa revelou que se juntará a outros produtores de manganês na candidatura à concessão que se prevê que seja atribuída pela Transnet.

O projeto representa uma das iniciativas de infraestruturas mais significativas atualmente em análise na cadeia logística mineira da África do Sul e reflete uma tendência mais ampla no sentido da participação do setor privado nas infraestruturas ferroviárias e portuárias.

Uma abordagem em consórcio para um corredor estratégico de exportação

A ARM participará no concurso através da sua empresa de manganês, a Assmang, como parte de um consórcio de grandes produtores sul-africanos. Espera-se que o grupo inclua empresas líderes na exploração de manganês que operam na prolífica zona mineira de Kalahari, na província do Cabo Setentrional, onde se encontra a maior parte das reservas do país. A África do Sul é o maior produtor mundial de minério de manganês e detém cerca de 70% dos recursos globais, tornando a logística de exportação um componente crítico da competitividade da indústria.

A maior parte do minério é exportada para siderúrgicas asiáticas, particularmente para a China, onde o manganês é um elemento de liga essencial utilizado na produção de aço. De acordo com participantes do setor, o terminal de Ngqura proposto destina-se a movimentar cerca de 16 Mtpa inicialmente, com potencial para expandir ainda mais à medida que a capacidade ferroviária melhorar. Espera-se que a Transnet convoque propostas formais para a concessão por volta de abril de 2026, marcando o próximo grande marco no desenvolvimento do projeto.

Por que Ngqura é importante

O Porto de Ngqura é um moderno porto de águas profundas concebido para receber grandes graneleiros e apoiar a atividade industrial ligada à vizinha Zona Económica Especial de Coega. Os responsáveis pelo planeamento industrial afirmam que a transferência das exportações de manganês para Ngqura permitiria aumentar o volume de movimentação e melhorar a eficiência operacional. O novo terminal destina-se também a consolidar as exportações de manganês atualmente movimentadas através de vários terminais na Província do Cabo Oriental, melhorando as economias de escala e os tempos de rotação dos navios. Fundamentalmente, o projeto faz parte da estratégia do governo para restaurar o desempenho do sistema logístico ferroviário-portuário da África do Sul.

Nos últimos anos, restrições de capacidade, danos na infraestrutura e ineficiências operacionais limitaram as exportações de minerais em várias commodities, incluindo o manganês. Para enfrentar estes desafios, a Transnet começou a abrir partes da sua rede ao investimento privado. Um analista de logística descreveu a iniciativa como «um caso-teste para a participação do setor privado na infraestrutura portuária». Se for bem-sucedido, o modelo poderá ser replicado noutros corredores de exportação de minerais.

Perspetivas do setor

Os responsáveis do setor mineiro afirmam que o projeto é essencial para que a África do Sul possa tirar pleno partido da sua posição dominante nos mercados globais de manganês. Um consórcio de empresas mineiras irá apresentar uma proposta para a nova instalação de exportação, informou a ARM, destacando a disponibilidade do setor para investir diretamente em infraestruturas essenciais. De acordo com analistas que acompanham o setor, a melhoria da logística poderá desbloquear capacidade de produção adicional na Província do Cabo Setentrional, onde estão previstos vários projetos de manganês, novos ou em expansão.

«A eficiência da cadeia de abastecimento é fundamental em termos do crescimento do volume deste produto proveniente da África do Sul», observou um especialista em logística, sublinhando a dependência das exportações de manganês em ligações ferroviárias-portuárias fiáveis. Os observadores do setor afirmam que, sem uma melhoria da capacidade portuária, as empresas mineiras correm o risco de perder quota de mercado para produtores concorrentes na Austrália e no Gabão.

Datas importantes no cronograma do projeto

Vários marcos irão marcar o projeto nos próximos anos:

Abril de 2026: A Transnet deverá lançar um concurso público para a concessão do terminal de manganês de Ngqura.
2026–2027: Avaliação das propostas dos consórcios e adjudicação da concessão.
Final da década de 2020 (previsto): Construção e entrada em funcionamento das novas instalações de exportação, dependendo do financiamento e das aprovações regulamentares.

Prevê-se que o terminal inicie as operações com uma capacidade inicial de cerca de 16 Mtpa, significativamente superior à capacidade de escoamento atualmente disponível nas instalações envelhecidas de Port Elizabeth.

Perspetivas a médio prazo

O projeto Ngqura situa-se na intersecção de várias tendências fundamentais que estão a moldar a indústria mineira global. Em primeiro lugar, prevê-se que a procura de manganês se mantenha robusta devido ao seu papel na produção de aço e nas tecnologias emergentes de baterias. Em segundo lugar, a iniciativa reflete um reconhecimento crescente de que as empresas mineiras poderão ter de coinvestir em infraestruturas logísticas para garantir vias de exportação fiáveis.

Por fim, o projeto poderá marcar um ponto de viragem nos esforços da África do Sul para revitalizar a sua rede logística mineira através de parcerias público-privadas. Se a proposta do consórcio for bem-sucedida e a construção decorrer dentro do prazo, o terminal de Ngqura poderá tornar-se um dos mais importantes centros de exportação de manganês do mundo — permitindo potencialmente à África do Sul aumentar os embarques e reforçar a sua posição como fornecedor dominante dos mercados globais de aço. Para empresas como a ARM e os seus parceiros, o que está em jogo é muito importante: o sucesso do projeto poderá determinar se os vastos recursos de manganês do país se traduzirão num crescimento sustentado das exportações na próxima década.

Nesta entrevista exclusiva à Mining Indaba TV, Michelle Phillips, CEO da Transnet, partilha como as parcerias com o setor privado estão a impulsionar a recuperação económica da África do Sul. 

 

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