Impulsionando o investimento sustentável na mineração africana

Tharisa revela ambições com timing perfeito

15 de outubro de 2025 | Notícias do mercado

A Tharisa revelou ambições ousadas, apoiada numa forte recuperação dos preços dos metais do grupo da platina (PGM). O momento escolhido pela empresa não poderia ser melhor: a platina atingiu níveis nunca vistos em mais de uma década, oferecendo um impulso potencialmente lucrativo.

A Tharisa revelou ambições ousadas, apoiada numa forte recuperação dos preços dos metais do grupo da platina (PGM). O momento escolhido pela empresa não poderia ser melhor: a platina atingiu níveis nunca vistos em mais de uma década, oferecendo um impulso potencialmente lucrativo.

Um cenário de preços forte

Em 2025, a platina emergiu como um dos metais com melhor desempenho no complexo metalúrgico. Recentemente, ultrapassou a marca de US$ 1.600/onça, o nível mais alto desde 2013, impulsionado pela oferta restrita, pela crescente procura por investimentos e pelo uso industrial robusto. Alguns analistas acreditam que o metal poderá atingir US$ 2.000/onça no curto prazo, sustentado por déficits, baixos estoques acima do solo e forte interesse em aplicações catalíticas, automotivas e de hidrogénio verde. Para a Tharisa, cujo preço da cesta de PGMs subiu cerca de 18,6 % no ano encerrado em 30 de setembro de 2025, esse ambiente de preços transforma o que poderia ter sido uma expansão marginal em um crescimento com margens potencialmente mais altas.

O salto na produção: será que eles vão conseguir?

A Tharisa orientou a produção de PGM (que inclui platina) para 2026 para 145.000–165.000 onças, acima das 138.300 onças no ano fiscal de 2025. Isso representa uma clara demonstração de confiança, especialmente após os recentes desafios operacionais. Em 2025, a empresa enfrentou alguns desafios de remediação de minas que prejudicaram o desempenho, embora o quarto trimestre tenha mostrado uma recuperação: a produção de PGM saltou 19,7 % em relação ao trimestre anterior, para 41.300 onças.

Para sustentar esse crescimento, a Tharisa está a investir fortemente numa transição gradual para a mineração subterrânea. A empresa comprometeu US$ 547 milhões para essa expansão na próxima década. O plano subterrâneo visa horizontes de recifes mais profundos (especialmente as camadas de cromitita MG2 e MG4) a profundidades de aproximadamente 450 m, permitindo que a mina acesse recursos multigeracionais além do que a mina a céu aberto atual permite.

É importante ressaltar que a primeira mineração subterrânea está prevista para o segundo trimestre de 2026, o que se alinha perfeitamente com a orientação de produção mais agressiva da empresa. No futuro, o projeto subterrâneo em estado estável visa mais de 200.000 onças de PGMs anualmente, juntamente com mais de 2 Mt de concentrados de cromo.

Riscos e advertências

É claro que nunca é possível garantir o cumprimento de metas tão ambiciosas num contexto mineiro volátil. Alguns dos principais riscos incluem:

Risco operacional: A transição da mineração a céu aberto para a subterrânea traz complexidades — estabilidade do solo, ventilação, gestão da água e aumento de capital exigem um controlo rigoroso
Inflação de custos: O aumento dos custos dos insumos pode corroer a margem de lucro resultante dos preços mais altos. A trajetória da platina é impressionante, mas os mercados são cíclicos. Uma retração pode prejudicar a economia de uma expansão agressiva
Disrupção tecnológica: à medida que mais frotas automotivas se tornam elétricas, a procura por PGMs catalíticos pode diminuir; embora a Tharisa esteja apostando em parte no papel em evolução da platina nas tecnologias de hidrogénio e células de combustível
Pressões regulatórias, ambientais e ESG: as operações de mineração enfrentam cada vez mais escrutínio sobre métricas ESG, relações com a comunidade, uso de água, emissões e reabilitação — qualquer passo em falso pode acarretar custos ou atrasos.

A estratégia da Tharisa é audaciosa, mas baseia-se num ciclo favorável dos metais. Ao combinar o impulso da subida dos preços com o investimento em infraestruturas subterrâneas, a empresa pretende dar um salto para uma trajetória de produção mais elevada. Se a execução for tranquila e as condições de mercado continuarem favoráveis, a Tharisa poderá emergir como uma das empresas de PGM de médio porte com desempenho acima do esperado. A concretização da ambiciosa meta para 2026 dependerá da sua capacidade de gerir os riscos técnicos, financeiros e de mercado, mas, por enquanto, tudo parece estar a correr bem.

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