A Tharisa revelou ambições ousadas, impulsionadas por uma forte subida nos preços dos metais do grupo da platina (PGM). O momento escolhido pela empresa não poderia ser melhor: a platina atingiu níveis nunca vistos em mais de uma década, oferecendo um impulso potencialmente lucrativo.
A Tharisa revelou ambições ousadas, impulsionadas por uma forte subida nos preços dos metais do grupo da platina (PGM). O momento escolhido pela empresa não poderia ser melhor: a platina atingiu níveis nunca vistos em mais de uma década, oferecendo um impulso potencialmente lucrativo.
Um contexto de preços favorável
Em 2025, a platina destacou-se como um dos metais com melhor desempenho no setor metalúrgico. Recentemente, ultrapassou a marca dos 1 600 dólares por onça, o nível mais elevado desde 2013, impulsionada pela escassez da oferta, pelo aumento da procura por parte dos investidores e pela forte utilização industrial. Alguns analistas prevêem mesmo que o metal possa atingir os 2.000 dólares por onça no curto prazo, sustentado por défices, baixos níveis de existências acima do solo e um forte interesse em aplicações catalíticas, automóveis e de hidrogénio verde. Para a Tharisa, cujo preço da cesta de PGMs subiu cerca de 18,6 % no ano que terminou a 30 de setembro de 2025, este ambiente de preços transforma o que, de outra forma, poderia ter sido uma expansão marginal num crescimento com margens potencialmente mais elevadas.
O salto na produção: será que vão conseguir?
A Tharisa previu uma produção de PGM (que inclui a platina) para 2026 entre 145 000 e 165 000 onças, um aumento em relação às 138 300 onças registadas no ano fiscal de 2025. Isto constitui uma clara demonstração de confiança, especialmente após os recentes desafios operacionais. Em 2025, a empresa enfrentou alguns desafios de recuperação de poços que pesaram no desempenho, embora o quarto trimestre tenha apresentado uma recuperação: a produção de PGM aumentou 19,7 % em relação ao trimestre anterior, para 41 300 onças.
Para sustentar este crescimento, a Tharisa está a investir fortemente numa transição gradual para a exploração subterrânea. A empresa comprometeu-se a investir 547 milhões de dólares americanos nesta expansão ao longo da próxima década. O plano de exploração subterrânea visa horizontes de veios mais profundos (especialmente as camadas de cromita MG2 e MG4) a profundidades de cerca de 450 m, permitindo à mina aceder a recursos multigeracionais para além do que a atual exploração a céu aberto permite.
É importante referir que a primeira produção de minério proveniente das operações subterrâneas está prevista para o segundo trimestre de 2026, o que se coaduna perfeitamente com as orientações de produção mais ambiciosas da empresa. A longo prazo, o projeto de produção subterrânea em regime de equilíbrio visa atingir mais de 200 000 onças de metais do grupo do platina (PGM) por ano, a par de mais de 2 milhões de toneladas de concentrados de cromo.
Riscos e advertências
É claro que o cumprimento de metas tão ambiciosas num contexto mineiro volátil nunca é garantido. Alguns dos principais riscos incluem:
Risco de execução operacional: A transição da mineração a céu aberto para a subterrânea introduz complexidades — a estabilidade do solo, a ventilação, a gestão da água e o aumento do investimento de capital exigem um controlo rigoroso
Inflação dos custos: Os custoselevados dos fatores de produção podem corroer a alavancagem das margens resultante dos preços mais elevados. A trajetória da platina é impressionante, mas os mercados são cíclicos. Uma retração poderia comprometer a viabilidade económica de uma expansão agressiva
Disrupção tecnológica: À medida que mais frotas automóveis se tornam elétricas, a procura por PGMs catalíticos poderá diminuir; embora a Tharisa esteja a apostar, em parte, no papel em evolução da platina nas tecnologias de hidrogénio e células de combustível
Pressões regulatórias, ambientais e ESG: As operações mineiras enfrentam cada vez mais escrutínio em relação a métricas ESG, relações com a comunidade, uso da água, emissões e reabilitação — qualquer passo em falso poderá acarretar custos ou atrasos.
A estratégia da Tharisa é audaciosa, mas assenta num ciclo favorável dos metais. Ao combinar o impulso da subida dos preços com o investimento em infraestruturas subterrâneas, a empresa pretende dar um salto para uma trajetória de produção mais elevada. Se a execução decorrer sem percalços e as condições de mercado continuarem favoráveis, a Tharisa poderá emergir como um dos intervenientes de médio porte no setor dos PGM a superar as suas expectativas. A concretização da ambiciosa meta para 2026 dependerá da sua capacidade de gerir os riscos técnicos, financeiros e de mercado — mas, por agora, tudo parece estar a correr a seu favor.
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