A recente ordem executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, para acelerar a mineração em águas profundas provocou uma tempestade geopolítica, atraindo críticas severas de ambientalistas, juristas e reguladores internacionais.
Embora o governo enquadre a decisão como uma medida estratégica para garantir minerais essenciais e reduzir a dependência da China, os opositores alertam que ela pode romper décadas de cooperação marítima internacional e desencadear crises ecológicas.
O que as principais figuras estão a dizer sobre essa medida imprudente?
“Ao acelerar a mineração em águas profundas, os EUA podem minar as estruturas internacionais e criar riscos jurídicos e diplomáticos.” - Scot Anderson, advogado especializado em mineração e codiretor de energia e recursos naturais da Womble Bond Dickinson. “Isso pode encorajar nações que já estão a expandir suas reivindicações marítimas a ultrapassar ainda mais os limites.”
“Ações unilaterais em águas internacionais correm o risco de desestabilizar um sistema cuidadosamente negociado, num momento em que a supervisão ecológica e jurídica é mais necessária.” - Leticia Carvalho, secretária-geral da ISA
No prefácio do último relatório da Greenpeace intitulado Deep Deception, o major-general aposentado Randy Manner afirmou: “A base da segurança nacional não é simplesmente armas ou minerais — é a estabilidade global, o Estado de Direito e a resiliência ecológica.”
Especialistas da Ocean Conservancy da Universidade de Yale ecoaram essas preocupações. Jeff Watters, vice-presidente de relações externas da organização, afirma: “A ordem executiva assinada pelo presidente Trump abre uma caixa de Pandora de disputas jurídicas e territoriais. Não se trata apenas do impacto ambiental, mas da preservação da paz e da ordem nas águas internacionais.”
Watters também destacou o perigo da exploração não regulamentada. «Até termos diretrizes globais aplicáveis, há um risco crescente de desenvolvimento caótico e fragmentado. Isso torna os conflitos marítimos futuros muito mais prováveis.»
A corrida internacional por licenças
Apesar da controvérsia, as empresas estão a avançar. A The Metals Company (TMC), uma empresa com sede no Canadá, solicitou uma licença de recuperação comercial e duas licenças de exploração ao abrigo do código de mineração dos EUA. As zonas, que cobrem quase 200 000 km² do leito marinho do Pacífico, são ricas em nódulos polimetálicos que contêm cobalto, níquel e terras raras.
A Korea Zinc investiu aproximadamente 85,2 milhões de dólares na TMC, adquirindo uma participação de 5%. A parceria está a ser promovida como um passo para a construção de uma cadeia de abastecimento não chinesa.
«Isto é mais do que capital», afirma Gerard Barron, CEO da TMC. «É um alinhamento em termos de urgência, valores e uma cadeia de abastecimento resiliente alinhada com os EUA.»
A Impossible Metals, sediada em Silicon Valley, solicitou às autoridades americanas que leiloassem o acesso ao fundo marinho ao largo da Samoa Americana, sublinhando o crescente interesse do setor privado.
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Os EUA não são os únicos a se voltarem para o oceano profundo. Japão, Noruega e Ilhas Cook lançaram iniciativas domésticas de mineração do fundo do mar. A razão? Uma escassez iminente de minerais críticos.
Com as estruturas globais em fluxo, a ordem executiva do presidente Trump pode estabelecer um precedente para a mineração unilateral em águas internacionais — um precedente que outros podem seguir em breve.
«O tempo está a esgotar-se», continua Watters. «Se uma nação iniciar a mineração em grande escala no fundo do mar sem um acordo internacional, as comportas poderão abrir-se. Isso poderia desfazer décadas de diplomacia cuidadosa.»
Enquanto o mundo observa o início da atividade industrial no fundo do oceano, a questão central permanece: as nações escolherão a cooperação ou a competição para governar a última fronteira da Terra?








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